PR18. Levada do Rei









★★★★  | Quebradas - Ribeiro Bonito e voltar.

Nível: fácil  | 3:30h + 1:15h | 5,1km + 5,1km.


Uma visita à Madeira não fica completa sem fazer pelo menos uma levada. E a Levada do Rei é um espectáculo, e só por isso merece a sua visita. Um percurso bonito, fácil de fazer, relativamente curto e que condensa no seu espaço quase tudo o que a floresta Laurissilva tem de bom para oferecer.

Contudo, antes de se por a caminho de São Jorge, em Santana, verifique que este percurso encontra-se aberto e em boas condições neste momento. Consulte o site do Turismo da Madeira clicando aqui e saiba se esta é a altura ideal para um passeio. Siga as regras de conduta e segurança, prepare-se convenientemente, verifique ainda as condições meteorológicas e divirta-se. Seja bem-vindo à Levada do Rei.

Mapa da Levada do Rei:




O moinho.

Antes mesmo de se fazer à levada, passe pelo tradicional moinho a água localizado mais abaixo do início desta. Quer vá a pé ou de carro, a distância entre os dois é pouca. Com mais de 300 anos e com um restauro recente, neste moinho vai poder conhecer a moleira Dona Ana Rosa.

Na vivacidade dos seus 80 anos e junto com o seu marido Lino Albino Mendonça, encontrará uma genuína e entusiasmada recepção. Se for português irá ser bombardeado com perguntas sobre a sua proveniência e sobre as lides do campo. Se não, será guiado pela mão a ver o que de especial tem este moinho e os seus segredos antigos.

Dê preferência a uma visita matinal e durante os dias úteis porque é quando o moinho está aberto. A Dona Ana Rosa costuma moer trigo, centeio, cevada e milho sob encomenda e muito do bom e tradicional Pão de Santana deve ter origem na farinha moída pelas pedras desta casa.

Esta senhora deixou-nos ainda um pequeno doce em forma de quadra: "Este trigo é meu primo / o centeio meu parente / não se faz festa nenhuma / (em) que este meu primo não entre." Este é o último moinho deste tipo na Madeira já que utiliza as águas da Levada do Rei como se fazia há muitos anos atrás e sempre de forma tradicional. Tome 15 minutos do seu tempo e visite este monumento regional.


Visite o moinho a água com 300 anos antes de fazer a Levada do Rei e conheça a senhora Ana Rosa Mendonça, a moleira de serviço. Comece na ETAR de São Jorge, siga sempre o canal de água e prepare-se para entrar em plena Laurissilva.



A Levada do Rei.

Depois de visitado o moinho, continue pelo caminho principal até chegar à zona da levada nas Quebradas. Percorra uma pequena entrada de terra batida até à ETAR de São Jorge. Após esta, procure pela placa que indica o início do caminho, suba uns degraus e dê início à Levada do Rei propriamente dita.

Tal como acontece com a maioria das levadas na Madeira, o percurso desta caminhada é plano na sua quase totalidade. Na primeira parte irá encontrar quase só floresta exótica entre pinheiros e acácias e algumas outras flores entre as quais as Coroas de Henrique. Siga sempre a levada, até sentir a vegetação começar a mudar e transformar-se rapidamente na floresta indígena da Laurissilva, Património Mundial Natural da Unesco, consagrada desde 1999.

Continuando o caminho poderá observar do outro lado as montanhas cultivadas de São Jorge e Santana e mais à frente a mudança para o verde, um verde absoluto, natural. Verde este que tanto de um lado como doutro, significam Loureiros (Laurus azorica), Tis (Ocotea foetens) e Vinháticos (Persea indica), mais os fetos, musgos e outras plantas mais. Tornando ainda este caminho de rei digno de tal nome, há também um minúsculo "furado", que é a palavra madeirense para túnel, e ainda uma queda de água a que nem os mais rígidos viajantes resistem a um sorriso perante a sua passagem.



De um lado a levada. Do outro, as montanhas. Os varandins presentes ao longo de todo o passeio permitem-lhe desfrutar da paisagem e de tudo o que o rodeia com muita segurança. Incluindo um pequeno túnel que até dispensa o uso da lanterna.



A água está sempre presente, e parece vir de todos os lados. Os pequenos ribeiros que se vão cruzando com os seus passos vão intercalando-se com partes onde o percurso é mais largo e a vegetação mais densa. Muitas vezes são as árvores que absorvem por completo os raios de sol que dificilmente chegam até aos traços da levada.

Continue sempre a seguir o curso de água que vem em contra-mão, até porque não tem alternativa, e aprecie a presença de pequenos pássaros como o Bis-bis (Regulus ignicapillus maderensis) e o Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis), de borboletas e outros bichos. Em menos de nada está junto ao Ribeiro Bonito. E talvez "bonito" seja um adjectivo pouco ambicioso para o que julgo ser uma verdadeira catedral dedicada à Mãe Natureza. Apesar destas, não há palavras que sirvam para descrever tamanha beleza.



O elemento água presente em todo o lado. Siga até ao fim e procure pelos riachos com peixes de pequeno porte. Levante a cabeça, sorria, inspire e inspire-se.



Saberá que chegou ao final. Escape ainda ao percurso normal, e se puder, desça até ao ribeiro. Repouse um pouco junto às pedras da ribeira ou então, após o término da levada, suba mais alguns metros por entre as árvores (à direita do percurso principal) e descubra outros recantos interessantes.

Tire um bom tempo para absorver o ambiente que o envolve, respire fundo e liberte algumas toxinas do seu corpo. Depois, é tempo de voltar atrás. Se for adepto de fazer as coisas com calma, a ida levar-lhe-á cerca de 3h a 3:30h, enquanto que para voltar necessitará apenas de cerca de 1:15h a 1:30h. Descanse, retempere forças e divirta-se, de preferência com uma boa companhia.



A caminhada até ao Ribeiro Bonito aproxima-se do fim. Encontre o ponto onde parte do ribeiro transforma-se em Levada do Rei e sinta os elementos naturais na sua forma mais pura.



Porque ir: 

A parte inicial não é muito interessante mas à medida que se vai entrando na floresta indígena a experiência vai melhorando até culminar no Ribeiro Bonito, uma zona de beleza imaculada. Este é um percurso que não é nem muito curto nem muito longo, é sempre plano e serve como referência do que são as Levadas da Madeira, quer para quem tem pouco tempo disponível, quer para quem pretenda visitar apenas uns poucos percursos recomendados.


Como chegar:

Saindo do Funchal, vá em direcção a Santana pelo lado de Machico. Siga pela Via Expresso até ao fim e na rotunda de Santana (perto da estação da BP e do supermercado Sá) tome a direcção de São Jorge. Aqui está na estrada regional (ER101). Siga até encontrar uma placa que indica o moinho de água. Agora suba e siga as placas. Após este moinho, que deve visitar, é só percorrer um pouco mais de estrada até chegar à Levada do Rei.


O que levar:

A meteorologia e as condições dos percursos na Madeira variam muito pelo que é aconselhável levar um casaco, uma protecção contra a água ou chuva, calçado confortável e anti-derrapante, líquidos e alguma comida. Evite o excesso de peso mas não se esqueça da máquina fotográfica. Se possível leve um telemóvel consigo. Neste percurso não será necessário o uso de um bordão nem de lanterna.


Considerações finais:

O percurso encontra-se bem cuidado na sua totalidade e protegido por varandas nas partes mais estreitas. Caminha-se sempre por um percurso plano mas é necessário atenção na zona da queda de água e um cuidado especial para quem tem vertigens. O clima pode sofrer alterações rápidas e constantes.



Bem-vindo ao ano de 1419. Viva a Madeira como ela era há mais de 500 anos e desfrute deste pedaço de paraíso à sua espera. Perceba porque o Ribeiro Bonito faz mais que jus ao nome e aproveite para meditar e entrar em harmonia consigo e com o mundo.


Porquê ★★★★ ?

A beleza do Ribeiro Bonito encontra-se sobretudo na sua luxuriante vegetação indígena e na interessante parte final. É um percurso com uma distância ideal para quem procura uma experiência intensa mas não desgastante. Está bem cuidado, limpo e está muito bem dotado em termos de segurança do viajante. Não leva as cinco estrelas por causa da sua parte inicial e porque há lugares que apresentam uma maior diversidade de atractivos.


Texto, fotografias e grafismo: Victor Sousa.

As informações contidas neste artigo não são vinculativas e servem apenas como referência informal, não podendo serem apontadas como objecto de responsabilização. Toda a informação não pode ser reproduzida sem autorização do autor. Actualização a 16 de Julho de 2011.

+ ir para outros percursos recomendados

Prepare a sua caminhada na Madeira.



A Natureza é mutável e no caso da Madeira isso pode significar que tenha de ter um ou mais planos alternativos ao seu dia de passeio. A alterar os seus planos podem estar uma mudança dramática de clima, que transforma um sol pleno em uma névoa carregada de chuva, uma estrada regional interrompida ou até mesmo o encerramento temporário do percurso que pretende fazer.

Prepare alternativas no dia anterior. Faça uma consulta dos percursos pedestres que pode fazer nas redondezas, ou das praias, sítios a visitar ou escolha o concelho vizinho e parta para outra.

Saia cedo de casa. Aproveite o dia. Os imprevistos acontecem. Terá mais tempo para desfrutar da natureza. E tempo para dormir não lhe faltará. Uma caminhada pode revelar-se mais longa do que o previsto, poderá ter de voltar atrás,







Cuidados a ter:


Antes de ir: Avise a alguém com antecedência qual é o percurso que planeia fazer e, em caso de impossibilidade qual a alternativa (plano B). Segurança acima de tudo. Avise a alguém para onde vai, a que horas vai e sobretudo a que horas pretende voltar.

Planeie o seu dia com antecedência: Pode acontecer que ao deslocar-se ao ponto inicial do seu percurso, se depare com algum obstáculo. Podem ser desde uma estrada de acesso interrompida, um percurso em manutenção, ou muita chuva, vento ou frio no local. Como tal, tenha sempre preparado um plano B e até mesmo um plano C, ou seja, percursos alternativos nas zonas circundantes e mesmo outro tipo de actividades.

Prepare alternativas no dia anterior. Faça uma consulta dos percursos pedestres que pode fazer nas redondezas, ou das praias, sítios a visitar ou escolha o concelho vizinho e parta para outra.

Guias de montanha: se preferir fazer o percurso com um guia ou um grupo pondere contratar os serviços de um guia que seja experiente e qualificado.

Visite o site do Turismo da Madeira para verificar se o percurso que pretende fazer não está interrompido.


Meteorologia: Verifique as condições meteorológicas um a dois dias antes. Consulte dois a três sites da especialidade porque há discrepâncias e vá pela média.

Saia cedo de casa. Aproveite o dia. Os imprevistos acontecem. Terá mais tempo para desfrutar da natureza. E tempo para dormir não lhe faltará. Uma caminhada pode revelar-se mais longa do que o previsto, poderá ter de voltar atrás,



O que levar:


Comida e bebidas. Escolha fruta de preferência, frutos secos, sandes. Coisas que não se estraguem pelo caminho. Leve consigo uma garrafa de água. Prefira as de 33cl em vez das de 1,5l já que são mais cômodas e mais leves.

Telemóvel. Se puder, leve um. Os acidentes podem acontecer e carregar um consigo telemóvel pode evitar complicações de maior. Registe estes números de telefone para um caso de emergência: Emergências: 112,
Protecção Civil: 291 700 112. Atenção: em zonas isoladas da ilha é normal ficar sem cobertura de rede pelo que por vezes terá de se deslocar a zonas com maior altitude ou com menos árvores para poder efectuar comunicações. Não se esqueça de carregar o aparelho no dia anterior.

Roupa confortável: As temperaturas na Madeira não costumam descer abaixo dos 14 graus centígrados durante todo o ano e as máximas não vão além dos 30 graus. No entanto, antes de fazer uma caminhada deve preparar-se para situações de frio e calor independentemente da estação.

Mesmo que seja primavera ou verão, escolha um casaco não muito pesado mas que aqueça bem. Opte por calçado confortável e não escorregadio. Umas botas de montanha ligeiras são uma boa opção. Não leve as suas melhores roupas pois é muito provável que se vá sujar um pouco. No caso de chuva miúda, escolha um impermeável ou um guarda-chuva. Se escolher uma zona desabrigada use um chapéu ou outra protecção para a cabeça.

Todos os caminhantes devem levar um saco com impermeável, chapéu, luvas, roupa suplementar, apito, comida e bebida, o mapa com relevo e bússola. Pode também precisar de protecção solar.
É essencial que as botas de montanha possam ser usadas para todo o tipo de passeios.


Máquina fotográfica: Baterias. Cartão vazio. Pequena máquina compacta. Não se distrai do grupo e avise sempre que quiser tirar uma foto numa zona fora do percurso recomendado. Se tiver, leve um pequeno tripé para usar em fotos de grupo, de maior tempo de exposição ou em casos de menor luminosidade. Máquina fotográfica e um mini tripé. Carregue a bateria da sua máquina no dia anterior e esvazie os seus cartões de memória.

Lanterna: Nalguns percursos da Madeira, é necessário passar por túneis (furados) Uma pequena lanterna (olho-de-boi) com três lâmpadas LED é suficiente já que é leve e tem maior durabilidade. Certifique-se que as baterias da mesma estão carregadas. Se for à prova de água melhor ainda.

Mapa. Não é que seja sempre necessário pois os percursos costumam estar bem identificados mas se for possível, faça-se acompanhar de um mapa. Se este indicar o relevo montanhoso é ainda melhor. No caso de não conseguir um, fotografe o cartaz com o mapa que normalmente existe no início das caminhadas. Ou então leve uma versão digital do mesmo. Se quiser leve uma pequena bússola consigo.

Outros objectos: Saco de plástico para colocar o seu lixo. Mesmo o lixo orgânico deve ser levado de volta. Não o deixe ao abandono no meio da natureza. Guarda-chuva se houver zonas com quedas de água sobre o percurso por onde as pessoas passam. Protector solar. O sol da serra pode ser uma surpresa.

Pode também levar um bom livro, uma revista, cartas de jogar ou mesmo uma bola. Não se esqueça do fato de banho, toalha e dos chinelos pois poderá querer ir à praia no final da tarde.


Esta é a sua lista de verificação: descarregue aqui um documento PDF e simplifique este processo.






Segurança antes de tudo. 


É aconselhável não fazer estes percursos sozinho. Não se afaste dos trilhos pré-definidos. Em alguns sítios o nevoeiro poderá surpreendê-lo e com isso perder o sentido de posição.

Se for possível tenha no seu carro um conjunto de primeiros socorros.



Por um lado, existem veredas que seguem o curso das levadas, antigos canais de água que engenhosamente serpenteiam o seu percurso através da ilha, sempre a descer gentilmente, e muitas vezes no mais espectacular enquadramento. Por outro lado, os cumes que se ligam e circundam o Pico Ruivo são escarpados e austeros, entrelaçados com veredas rochosas que nos fazem torcer os pés de todas as maneiras imagináveis. ilha vulcânica que paisagem escarpada

Veredas:  É vital que você escolha só aquelas veredas que são mais apropriadas para o seu nível de experiência e de estado físico. A maioria dos passeios envolve variadas descidas e subidas, algumas circulares, outras lineares. Todas são excepcionais mas os caminhantes que têm vertigens ou que não estão acostumados a ocasionais degraus ascendentes ou descendentes, devem evitar os passeios mais difíceis.

Crianças - Crianças abaixo dos 18 anos têm de ser acompanhadas por um adulto em todos os passeios.


Normas de Conduta: 


Caminhar nas ilhas da Madeira e do Porto Santo é revigorante, excitante e altamente compensador. Qualquer caminhante achará as veredas e levadas da Madeira um desafio e uma agradável surpresa. Mas a maioria dos passeios percorrem zonas montanhosas em plena natureza, pelo que é muito importante que se prepare convenientemente antes de iniciar um passeio, de modo a não comprometer a sua própria segurança.

NORMAS DE CONDUTA E SEGURANÇA

Mantenha-se dentro do trilho
Evite ruídos e atitudes que perturbem o meio ambiente
Não recolha nem danifique plantas
Não perturbe os animais
Não abandone lixo (não deite lenços de papel no chão, a sua decomposição é muito lenta)
Não faça lume
Se é fumador, não deite as beatas no chão, guarde-as para colocar no caixote do lixo
Não destrua ou modifique a sinaléctica
Para sua segurança:

Não caminhe só, leve sempre companhia
Recolha previamente informação actualizada sobre o percurso
Informe sempre alguém do trilho que vai fazer e hora prevista da chegada
Certifique-se do tempo de caminhada e garanta que a finaliza antes de anoitecer
Transporte alguma comida e água de reserva
Utilize roupa e calçado apropriados
Se possível leve um telemóvel consigo
Em caso de fortes chuvas e ventos não faça o percurso ou volte para trás pelo mesmo caminho
Não corra riscos

Local Time / Hora local:

Widget meteorologia:

PR9. Levada do Caldeirão Verde




 | Queimadas - Caldeirão Verde - Caldeirão do Inferno e voltar.

Nível: moderado | 5:00h + 2:00h | 6,5km + 6,5km + a distância ao Caldeirão do Inferno



A levada do Caldeirão Verde é um dos percursos pedestres mais conhecidos na Madeira. A sua beleza é surpreendente e quem faz este caminho jamais esquece a experiência. As montanhas são imponentes e cheias de abismos intocados, os túneis escavados à mão, as quedas de água são presença constante e os cenários de cortar a respiração.

Este percurso leva-o directamente ao centro da Laurissilva, a floresta indígena da Madeira, classificada como Património Mundial Natural da UNESCO. Para uma visita até à lagoa do Caldeirão Verde é necessário caminhar cerca de cinco horas e meia (ida e volta) e, se optar por ir também até ao Caldeirão do Inferno, aumente em cerca de duas horas e meia o tempo necessário.

Bem vindo ao que de melhor a Madeira tem para oferecer! Inspire fundo, faça uns alongamentos e lance-se ao caminho.



As Queimadas.

O início do percurso para o Caldeirão Verde faz-se na zona do Parque Florestal das Queimadas. Aqui encontrará duas casas revestidas a colmo à moda de Santana. A maior é uma casa de abrigo. Encontrará também um jardim com espécies indígenas e endémicas da Madeira e um lago com trutas e patos.

Se vier de carro não deverá ter dificuldade em estacionar, mas por vezes o parque torna-se pequeno para o número de visitantes. Neste caso deverá seguir mais alguns metros de estrada e deixar o carro mais acima. Para saber o percurso exacto até às Queimadas, siga até ao final deste texto.

A caminhada é longa, por isso aproveite a área de merendas para comer algo ou então ir à casa de banho. É aqui que começa e acaba este percurso (PR9). Significa isto que, chegando ao Caldeirão Verde ou ao do Inferno, terá de voltar para trás e percorrer de novo todo o percurso. Não há outro caminho mais rápido.

Como alternativa poderá usar a zona das Queimadas para passar o dia com os seus amigos, aproveitando as infra-estruturas existentes tais como as mesas, a churrasqueira ou um terreno plano onde pode montar uma tenda. Complemente o seu dia com um passeio ao Pico das Pedras (cerca de uma hora) ou até ao Caldeirão Verde (cerca de 5 horas).



Uma caminhada por entre o verde absoluto.

Iniciar a direcção que leva ao Caldeirão Verde e ao Caldeirão do Inferno é muito fácil. Basta seguir a placa indicativa. Há apenas um caminho de terra batida bastante largo e é por aí que deve seguir. Tenha sempre a levada, ou seja o percurso de água, à sua esquerda e parta à aventura.

A levada encontra-se bem protegida em toda a sua extensão e não terá dificuldades em fazê-la. Se houver  algum entrave a isto será apenas a ocorrência de chuvas fortes ou a extensão do percurso, mas isso não será um problema para a grande maioria das pessoas já que este é plano na sua quase totalidade.

A floresta indígena da Madeira muitas vezes é chamada de a "Amazónia portuguesa". A comparação às vezes é exagerada e enganadora mas há um fundo de verdade nisto. As espécies animais e vegetais existentes são em número muito inferior mas há muito que é equiparável. As extensões montanhosas, os ribeiros intocados, plantas em todo o lado, a presença constante de quedas de água, pequenos lagos e recantos de paraíso justificam a lembrança.

Os cenários são sempre exuberantes e constantes em qualquer parte do ano. As árvores nativas que os compõem têm sempre folhagem perene e as temperaturas são amenas. Aqui, terá um contacto directo com a Reserva Natural Integral da ilha da Madeira.


Os furados.

Os túneis existentes na ilha da Madeira são um retrato da necessidade que o homem tem de cruzar caminhos.

Após caminhar por um pouco mais de uma hora, e de passar por um primeiro pequeno túnel encontrará um segundo bem maior e de traçado recto. Faz parte do percurso. Ligue a sua lanterna e atravesse-o. Tenha cuidado com a água que há  no chão e mantenha os olhos sempre atentos... no tecto, para que não bata com a cabeça nas rochas. Em questão de minutos estará do outro lado. Não se assuste.

Antes mesmo deste túnel irá reparar numa placa que indica um outro percurso recomendado: a Vereda da Ilha (PR1.1) e que tem origem no sítio com o mesmo nome. A "Ilha" fica geograficamente colocada entre São Jorge e as Queimadas. Neste caso, fica a informação, mas como o seu objectivo são os caldeirões, ignore por hoje este percurso.

Até à lagoa do Caldeirão Verde existem mais dois túneis por onde terá de passar. Não se esqueça mesmo de levar uma lanterna ou fonte de luz. Dar-lhe-á muito jeito.



O Caldeirão Verde.

Após cerca de duas horas e meia de caminhada, encontrará o leito de uma ribeira e uma placa final a indicar o Caldeirão Verde. Comece a subir o pequeno trilho com cerca de 100 metros de extensão. Note a árvore que pousa sobre uma grande pedra à sua esquerda e que lembra um grande bonsai. 

Continue até encontrar uma enorme cascata e estará dentro do Caldeirão Verde. Olhe para cima e entenderá o porquê do nome. Respire fundo e deixe-se os seus pensamentos fluirem.



Um trabalho de amor. E uma luta pela sobrevivência.

A grande maioria das levadas da ilha foram construídas há mais de 150 anos e com poucos recursos tecnológicos. Os homens que lá trabalharam tiveram de passar meses nestes sítios, sempre com o abismo como companhia. As condições de trabalho, de vida e de conforto não eram certamente as de hoje.

Munidos de poucos instrumentos e de alguns burros de carga, conseguiram agarrar a água desde as suas nascentes e levá-la até às orlas da ilha. Isso significou aventurar-se e sacrificar-se pela floresta adentro e desafiar as montanhas de picareta em punho. Quem pagou o maior preço foi certamente os corpos destes pioneiros. Já pensou sobre isto?



Ir até ao Inferno e voltar.

Após a sua paragem no Caldeirão Verde é tempo de ir até ao Caldeirão do Inferno. Se estiver ainda junto à  lagoa (cascata), desça até à zona de desvio onde começa o canal de água (a levada propriamente dita) e procure a placa indicativa.

A partir daí continue a caminhar sempre com a levada pela sua esquerda. Após algum tempo irá encontrar uns degraus situados junto a uma cascata quase seca. Isso não é o Caldeirão do Inferno. Contorne-a por baixo e siga o percurso normal até encontrar à sua esquerda umas escadas que sobem. Tome-as e não siga pelo caminho plano da levada pois este não tem saída. Não se preocupe pois estas estão cuidadas e com protegidas.

Subir estas escadas é um pouco cansativo mas é a zona de maior esforço em todo o percurso. Já chegou até aqui e não faz sentido voltar para trás. Suba até encontrar uma zona com três túneis.

O da esquerda vai dar ao início de uma levada. Se quiser pode percorrer o pequeno túnel e verificar. O do meio é muito longo e deverá ser ignorado. Escolha o da direita, onde há uma espécie de poço com água e percorra esta nova levada sempre com a água pela sua esquerda. Passe pelos diversos túneis até encontrar uma zona de maior movimento de água. Não se assuste com o barulho e a confusão.

Se encontrou um cenário com duas cascatas de água independentes, uma ponte metálica e um desfiladeiro saído de um filme de fantasia, chegou ao Caldeirão do Inferno!



Caso se pergunte, sim, está em Portugal. Está na Madeira e tudo isto existe. Respire fundo, recarregue as suas energias. Agradeça aos seus deuses por esta experiência. Agora é tempo de voltar. Não deverá ter problemas em saber o caminho de volta pois não há muitas alternativas. Boa viagem e uma boa aventura!



Mapa da Levada do Caldeirão Verde:

Caldeirão Verde Queimadas Map Mapas do Inferno Madeira Santana Trilhos Caminhadas



Porque ir:

Porque deve! Porque estar na Madeira e não fazer uma levada ou um percurso pedestre é não poder dizer conhecer a ilha. Estes percursos são, no meu ponto de vista, o que de melhor há para ver e fazer por cá. Portanto, se está de visita, tire um dia e vá até ao Caldeirão Verde. Este percurso é sem dúvida um dos melhores. Se tiver tempo vá até ao Caldeirão do Inferno. Se não gostar deste percurso pedestre não valerá a pena fazer outros pois certamente o seu coração não está ainda preparado para este tipo de experiências.


Como chegar:

Se estiver de automóvel e vier do lado do Funchal, tome a direcção do aeroporto pela ER101. Continue por Machico e tenha atenção após passar por esta localidade e saia pela direita que indica 'Santana'. Irá passar por alguns túneis e rotundas. Continue na 'Via Expresso' em direcção ao Porto da Cruz. Se sair de casa bem cedo até pode fazer uma pequena paragem nesta vila. Passe pelo Faial e continue até chegar à rotunda de Santana. Aqui deverá ver um posto de abastecimento da BP e um supermercado Sá.

Tome a saída que indica o centro de Santana. Logo após sair da rotunda tome a segunda entrada à sua direita onde há uma placa amarela que indica as 'Queimadas'. Comece a subir e siga sempre as indicações dadas pelas placas. Suba sempre até entrar numa zona de floresta de pinheiros e eucaliptos. Muito perto do final a vegetação muda drasticamente e a largura da estrada fica reduzida ao espaço de um carro. Continue até ao fim da estrada até encontrar um parque de estacionamento. Chegou às Queimadas. É aqui onde começa o percurso da Levada do Caldeirão Verde (e onde acaba um pequeno percurso que vem do Pico das Pedras.


O que levar:

É importante levar uma boa lanterna já que irá passar por túneis sem iluminação, calçado confortável e de preferência impermeável, e roupa leve mas quente. Dependendo da época do ano, uma gabardina ou um pequeno guarda-chuva são obrigatórios pois poderá ter de passar por debaixo de pequenas quedas de água. Não se esqueça de levar um pequeno farnel e água, do seu telefone e da máquina fotográfica.


Considerações finais:

Se pretende seguir até ao fim e ir até ao Caldeirão do Inferno numa altura do ano em que os dias têm menos luz, saia de casa bem cedo e tente chegar antes das 10:00 da manhã. Já me aconteceu na volta chegar às Queimadas e estar totalmente escuro. Gostei muito do efeito da luz da lanterna na névoa e no escuro mas poderá não ser o seu caso. Chegará ao fim cansado. Isso é certo.


Porquê ★★★★★ ?

Porque isto é uma maravilha. Faça este percurso e descubra por si.



Texto, fotografias e grafismo: Victor Sousa.

As informações contidas neste artigo não são vinculativas e servem apenas como referência informal, não podendo serem apontadas como objecto de responsabilização. Toda a informação não pode ser reproduzida sem autorização do autor. Actualização a 16 de Julho de 2011.



Procurar neste site

Este site

Os melhores percursos pedestres da Madeira. Percorra as levadas e veredas que valem a pena. Saiba o que deve ter em conta e parta à aventura. Aprecie.

"Um dia os homens deixarão os aviões, os transatlânticos, os comboios de alta velocidade, os automóveis para regressar aos caminhos do bosque."

José Tolentino de Mendonça

Redes sociais

Siga-nos no Instagram e no Facebook.

Victor Sousa

Seguir por e-mail.

Artigos mais populares

: